sexta-feira, maio 09, 2003

Queria saber de você, que sabe tudo de mim, que me conhece como a palma de sua mão, que jogo idiota é esse que nos enfiamos, porque nos submetemos a essas ciladas idiotas que a vida nos prega e ficamos imensamente confusos apesar de sabermos que viver é nada mais que contornar ironias. Queria saber de você, que me entende com o olhar, porque todos os caminhos que tomamos são tortos, porque não há a possibilidade do caminho mais curto e a única maneira de viver sem tantos atropelos é simplesmente não viver, entregar a própria vida a maré de situações e se deixar levar por ela. Queria saber de você, neste escuro de becos, porque os becos são escuros, porque não podemos caminhar em dias ensolarados enxergando os caminhos que escolhemos, sem esbarrar nos carros, sem assustar com os transeuntes, sem tropeçar nos baldes de lixo, sem adivinhar o que vem ou o que vai. Queria saber de você, que completa as minhas frases, que completasse as reticências nos discursos, as palavras que foram borradas na chuva, que me dissesse palavras sábias, sérias e limpas com a placidez de um sorriso e me acalmasse, me passando a certeza que "tudo vai terminar bem" mesmo quando eu tenho eu acho completamente o contrário. Queria saber de você, que sabe tudo de mim, que me guiasse nesses dias álgidos de lua crescente, no silêncio cristalino dessas madrugadas de outono, nessa incerteza de fatos que me vi imerso. Queria saber, ah como eu queria, quanto tempo, quanto tempo demorará para você mandar alguém me salvar.

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