sexta-feira, maio 23, 2003

... mas eu fiquei lembrando do seu sorriso enigmático nas escadas, na escuridão de casa abandonadas. Talvez você nunca tenha visto meus olhos cítricos quando te fitava. Acho que te pedia socorro. E enquanto escrevo essas linhas tortas, o mundo conspira, o mundo continua a girar. Sabe, já deixei de acreditar em acaso, muito apesar tenho toda uma teoria própria de "acasos convergentes". Isso não vem ao caso. Ando reduzindo tudo a uma vida de piloto-automático, cinza. É estranho que estudo o automatismo do corpo, toda essa nossa complexa engenharia. Tudo obedecendo ordens pré-estabelecidas, físicas, químicas, matebólicas. Tudo nesse mundo é simétrico e ordenado. Talvez seja por isso, só por isso, que quero jogar minha vida no vento e colher os frutos do caos, como se os planetas saíssem de sua trilha galáctica e colidissem como bolas de bilhar, interminavelmente...

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